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30 de Agosto de 2014 - Ano 65 - Nº 5.518
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Preservação do folclore regional faz de Três Lagoas diferente
Guta Rufino Foto: Arthur Freire/JP


Vitor Wagner Neto de Oliveira, professor de História da UFMS

A história de uma cidade não é composta apenas por documentos oficiais. A cultura popular é um traço forte que define a diferença de uma região para outra. Preservar o folclore regional é fundamental para que a história de uma cidadetenha elementos próprios que a faça distinta de outras. Ontem foi comemorado o Dia Nacional do Folclore. 

Conforme o professor de história da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Vitor Wagner Neto de Oliveira, a preservação da memória como parte da cultura local é importante para manter vivo o nosso folclore regional. Para isso, o curso de História da UFMS de Três Lagoas tem feito estudos e registros de contos narrados por moradores da região. “Estes contos são expostos na Festa do Folclore há dois anos com o objetivo de não apenas fazer o registro dessas histórias, mas também expor, mostrar para os moradores de Três Lagoas que é importante a preservação dessa memória coletiva, que é parte da constituição do município. Pois a história de uma cidade não é feia apenas por documentos oficiais, mas também com as narrativas das pessoas que compõe essa história”, esclareceu.

Um dos exemplos mencionados pelo professor foi a Ferrovia Noroeste do Brasil (N.O.B.). A estrada de ferro corta várias cidades e histórias relacionadas a ela se repetem por todo lugar que ela está presente, mas a forma que o povo interagem com a ferrovia, é que vai distinguir a história dela de uma região para outra. “Nos relatos que recolhemos de moradores, eles contam que o Lobisomem aparecia em determinados locais da ferrovia. É isso que faz a história local distinta de outras”, salientou Vitor.

As diversas histórias narradas pelos moradores de uma região é o que compõe o folclore daquele lugar. Segundo o professor Vitor, o folclore é composto não só por mitos, mas também por histórias que realmente aconteceram. “O folclore nem sempre é algo que não existiu de fato, nem sempre é algo inventado. Essas lendas, contos, podem ser acontecimentos reais que as pessoas a partir da tradição oral, passaram a reinventar esses acontecimentos”, elucidou.

O “Camisa de Couro” foi um dos exemplos citados pelo professor. Ele é um personagem do folclore de Três Lagoas. Uma figura que de fato existiu. "Todo mundo sabe que o ‘Camisa de Couro’ não é algo inventado, mas o povo passou a narrar a seu modo as histórias e acontecimentos envolvendo esse personagem. As lendas são sempre acrescidas de mais relatos, personagens”, frisou.

As lendas folclóricas são histórias ligadas ao cotidiano das pessoas. Geralmente, esse folclore acontece em áreas rurais. Como exemplo disso, temos os personagens do nosso folclore nacional: O Saci-Pererê, a Mula Sem Cabeça, os Casos de Pescadores, entre outros. Mas também, há as lendas urbanas, como é o caso do folclore três-lagoense, que é composto por personagens como: o Camisa de Couro, o Lobisomem, o Soldado, o Zeca Camisola, entre outros contos.
Vitor explicou qual o processo de construção do folclore regional a partir de histórias reais. “A lenda folclórica surge a partir da narrativa dos próprios moradores, como eles interpretam as histórias, a forma como reinventam esses acontecimentos”, comentou.

Por que a lagoa não seca?
Uma lenda do folclore três-lagoense
No Lar dos Velhos “Eurípedes Barsanulfo”, várias lendas foram registradas por alunos do curso de História. Nesse local, um dos idosos entrevistados, contou ao grupo de alunos, o motivo pelo qual a lagoa não seca. Segundo ele, há uma lenda, que na época da construção da Usina Engenheiro Souza Dias – Jupiá, um padre foi morto e jogado na lagoa de barriga para baixo. E de acordo com a narrativa, esse é o motivo pelo qual a lagoa não seca.

Os alunos do curso de História que fazem parte do Programa de Educação Tutorial (PET), “Conexão de Saberes”, coordenado pelo professor Vitor, realizaram gravações no Lar dos Velos, para registrarem contos do folclore de Três Lagoas, narrado pelos idosos. “Um lugar muito bacana para desenvolver essa atividade, porque as pessoas estão preparadas e dispostas a contar suas histórias de vida”, disse o professor.

Esses registros, segundo o Vitor, demostram o quanto o folclore está vivo e faz parte de nossa história. “O folclore é algo que está aí, ainda narrado pelas pessoas”, afirmou.

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